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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Conto: A cigarra e a formiga

Era uma vez uma cigarra que vivia saltitando e cantando pelo bosque, sem se preocupar com o futuro. Esbarrando numa formiguinha, que carregava uma folha pesada, perguntou:

- Ei, formiguinha, pra que todo esse trabalho? O verão é pra gente aproveitar! O verão é pra gente se divertir!

- Não, não, não! Nós, formigas, não temos tempo pra diversão. É preciso guardar comida para o inverno.


Durante o verão, a cigarra continuou se divertindo e passeando por todo o bosque. Quando tinha fome, era só pegar uma folha e comer.
Um belo dia, passou de novo perto da formiguinha carregando outra pesada folha. A cigarra então aconselhou:
- Deixa esse trabalho pras outras! Vamos nos divertir. Vamos, formiguinha, vamos cantar! Vamos dançar!
A formiguinha gostou da sugestão. Ela resolveu ver a vida que a cigarra levava e ficou encantada. Resolveu viver também como sua amiga.


Mas, no dia seguinte, apareceu a rainha do formigueiro e, ao vê-la divertindo, olhou feio pra ela e ordenou que voltasse ao trabalho. Tinha terminado a vidinha boa.
Dai, a rainha das formigas falou pra cigarra:
- Se não mudar de vida, no inverno você há de se arrepender, cigarra! Vai passar fome e frio.
A cigarra nem ligou, fez uma reverência pra rainha e comentou:
- Hum!! O inverno ainda está longe, querida!
Pra cigarra, o que importava era aproveitar a vida, e aproveitar o hoje, sem pensar no amanhã. Pra que construir um abrigo? Pra que armazenar alimento?

Começou o inverno, e a cigarra começou a tiritar de frio. Sentia seu corpo gelado e não tinha o que comer. Desesperada, foi bater na casa da formiga. Abrindo a porta, a formiga viu na sua frente a cigarra quase morta de frio. Puxou-a pra dentro, agasalhou-a e deu-lhe uma sopa bem quente e deliciosa.
Naquela hora, apareceu a rainha das formigas que disse à cigarra.

-No mundo das formigas, todos trabalham e se você quiser ficar conosco, cumpra o seu dever: toque e cante pra nós.

- A-ha! Pra cigarra e pras formigas, aquele foi o inverno mais feliz das suas vidas.


quinta-feira, 3 de maio de 2012

Dia do Conto: O ursinho chorão

Quando Cláudia chegou à casa de Maria, ela brincava com o seu ursinho de pelúcia.

- Que gracinha! – Cláudia se admirou. - Como é o nome dele?

- Ih, Cláudia, sabe que ainda não sei? – Maria respondeu, passando a mãozinha na cabeça.

- Por que não chama ele de Marquito?

- Marquito? Marquito?... Não. Marquito é um nome sem graça.

- Chama ele de Leão, então.

- De Leão... De Leão também não.

- De... Tigre!

- Também não. Meu ursinho é manso e Tigre não é manso.

- Ah, já sei! De... Não sei nada não. Esqueci.

- Acho que vou chamar ele de Bíli.

- De Bíii-li?

- É.

- Por quê?

- Ah, porque gosto desse nome.

- Mas Bíli não é nome de urso.

- É sim. Mamãe falou assim que é. Ela contou que já teve um urso de nome de Bilu. Daí troquei o u por i. Não fica bom?

- Não sei não, mas, já que você quer assim... Vamos brincar com o Bíli?

- Vamos!

 

Brincaram, brincaram e brincaram a tarde toda, sem se cansar.

Mais tarde, depois que Cláudia tinha ido embora, na hora do banho quis levar Bíli para a banheira, mas sua mãe não deixou.

- Ursos de pelúcia não tomam banho, Maria.

- Meu ursinho gosta de tomar banho sim, mãe.

- Eu sei, filha. Mas ele não pode entrar na banheira porque é de pelúcia. Se entrar, vai ficar encharcado.

- Então você me espera lá no quarto, viu, Bíli?, que eu já volto – disse Maria para o ursinho e o deixou no quarto.

Já estava quase saindo quando se surpreendeu com o ursinho que caminhava na sua direção.

- Oh, Bíli, teimoso! Por que não ficou quietinho onde o deixei? Eu não deixei você lá no quarto, por que saiu?

Ralhava brava com o ursinho, mas o ursinho não respondia. Somente chorava. Ela, então, pegou-o no colo e o agradou.

O ursinho dormiu. Ela, bem devagarzinho, deitou-o na cama para que não acordasse e depois saiu de mansinho do quarto. Mas não demorou muito e ele começou a chorar.

Ela voltou. Agradou-o de novo. Como ele não dormia, gritou:

- Ursinho chorão!

Daí ele dormiu.

A mãe chamou-a para jantar. Preocupada com o ursinho, sentou-se na cadeira e foi logo dizendo:

- Bíli vai dormir sem comer nada... que pena... acho que vou dar comida pra ele depois, de qualquer jeito...

- Ora! Quem foi que disse que urso de pelúcia come? – perguntou o Sr. Leocádio, já bastante irritado. – Trate logo de comer, Maria, porque sua comida está esfriando!

- Papai, então o senhor não acredita que o meu ursinho come? Ora, papai! Ele anda, chora, dorme...

Agora mesmo ele estava chorando lá no quarto.

Maria explicava para o pai inutilmente. Ele não acreditava nela. A mãe não acreditava nela. Ninguém acreditava nela. Lembrou-se de Cláudia.

- Pergunta pra Cláudia, mamãe. Ela viu o ursinho chorar.

Mas ao ver o pai abrir a boca para repreendê-la, arregalou os olhos e não disse mais nada. Nesse momento o ursinho chegou até ela, chorando.

- Viu, mamãe? Não falei que ele chora de verdade?

- De verdade o que, Maria? O que você falou que era de verdade?

- Que o ursinho chorava.

- Ah, o ursinho? Está sonhando de novo, filha? Vê se levanta logo da cama, que já tá quase na hora de ir pra escola. Se demorar, vai chegar atrasada de novo.

Somente então Maria acordou.

“Que pena”, pensou.

Descobriu que tudo não tinha passado de um sonho.

José Guimarães

terça-feira, 24 de abril de 2012

Dia do Conto: João e Maria

Toda semana estaremos trazendo para as crianças um conto infantil. Serão estórias clássicas e algumas nem tão conhecidas. Dedicadas a todos que gostam de ler, sejam crianças ou adultos.
E nosso conto de hoje é dedicado a todos os alunos da Tia Carla.

Numa casa perto da floresta vivia um lenhador muito pobre. Ele tinha dois filhos: João e Maria.

A mãe das crianças havia morrido e o lenhador casara de novo com uma mulher malvada. Uma noite a mulher queixou-se ao lenhador:

- A comida acabou e estamos sem dinheiro para comprar mais. Só há um pouco de pão para dar às crianças amanhã cedo.

Precisamos abandonar os dois na floresta, pois não temos com que sustentá-los.

- Abandonar? - perguntou o lenhador assustado.

- Não pretendo fazer isto com meus filhos!

Mas a mulher, que era feiticeira, ameaçou transformar as crianças em sapos se o lenhador não concordasse.

João e Maria ouviram a conversa. Maria começou a chorar, com medo de ficar perdida na floresta.

No dia seguinte as crianças foram levadas para a floresta. João deixou cair pedacinhos de pão para marcar o caminho.


A madrasta abandonou as crianças num lugar longe. João não se preocupava, porque tinha marcado o caminho para voltar.

Mas, quando ele e Maria procuraram os pedacinhos de pão, nada encontraram: os passarinhos da floresta tinham comido tudo!

- Que vai ser de nós agora? - perguntou Maria, choramingando de medo.

- Vamos tratar de dormir. - disse João - Amanhã daremos um jeito de voltar para casa.

Durante três dias e três noites as crianças vagaram pela floresta, sem achar o caminho de casa. Onde havia uma casinha.

 


 A casinha era feita de pão-de-ló, com telhado de chocolate e janelas de pão-de-mel. João e Maria puseram-se a comer a casa, até que uma voz gritou lá de dentro:

- Quem rói minha casinha?

Mas, no dia seguinte, tudo mudou. A velha chamou os dois para irem ver o estábulo, e fechou João lá dentro!

Fique ai até virar um leitãozinho bem gordo para eu comer. - disse a velha, que era uma feiticeira.

- E você, - continuou a velha, falando com Maria – terá que cozinhar e fazer todo o serviço da casa!

Todos os dias a velha obrigava Maria a levar comida para o irmãozinho. Depois perguntava se João já tinha engordado. Como a velha não enxergava bem, Maria dizia que ele ainda estava muito magrinho.

A velha cansou de esperar que João engordasse.

Um dia resolveu esquentar bem o forno e disse para Maria:

- Vou assar pão. Ponha sua cabeça lá dentro para ver se o forno já está bem quente.

- Minha cabeça não cabe aí dentro! - respondeu Maria.

- Ora, cabe até a minha que é maior! - disse a velha.

Maria fingiu que não acreditava. Quando a velha meteu a cabeça no forno para mostrar como cabia, a menina deu-lhe um empurrão e fechou a velha lá dentro!

Depois, mais que depressa, pegou a chave do estábulo e correu a soltar o irmãozinho.

Maria contou a João que a velha escondia um tesouro embaixo da cama. Os dois puseram tudo num cofre e em seguida fugiram levando as riquezas da bruxa.

Depois de andar muito pela floresta, João e Maria chegaram em casa e encontraram o pai no quintal, chorando de saudade deles. Os três se abraçaram contentes por estar juntos novamente.

O pai contou então que a madrasta tinha caído no rio e morrera afogada. Assim os três nunca mais se separaram e viveram sempre felizes.